Ministério diz que DRU não prejudica orçamento da Saúde

06/10/2011 14:35

Deputado Paulo Rubem Santiago afirmou, no entanto, que a DRU permite ao governo reduzir o valor destinado à seguridade. Ele é autor de PEC que exclui essa possibilidade.

A Desvinculação de Receitas da União (DRU) não tem atingido os recursos da saúde, foi o que garantiu nesta quinta-feira o assessor especial do ministro da Saúde, Fausto Pereira dos Santos. Ele participou de uma audiência da comissão especial que estuda a prorrogação da DRU até 2015 (PEC 61/11). A desvinculação de receitas termina em dezembro deste ano.

A DRU permite que o governo use como quiser 20% da arrecadação de todos os tributos existentes, mesmo os que tiverem vinculação constitucional. A exceção é para verbas da educação e para as transferências constitucionais aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, como os fundos de participação dos estados (FPE) e municípios (FPM).

Santos afirmou que, na prática, o orçamento da Saúde não está vinculado a nenhum percentual do orçamento da Seguridade Social, que recebe valor recolhido pela Cofins e que seria desvinculado pela DRU. “A lógica vem sendo a de cumprimento da Emenda 29, não importa a fonte desses recursos”, disse.

Verbas para o trabalhador
O secretário-executivo do Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), Rodolfo Torelli, explicou que R$ 5 bilhões são retirados todos os anos do FAT pela DRU. Ele explicou que, mesmo assim, o fundo continua a ter superavit, atualmente de R$ 3,8 bilhões.

O FAT faz parte do orçamento da seguridade e financia benefícios para trabalhadores, principalmente o seguro-desemprego. Parte dos recursos do fundo são emprestados por meio do BNDES para investimentos subsidiados de empresas, inclusive em obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Desvio de recursos
O relator da PEC 61/11, deputado Odair Cunha (PT-MG), lembrou que a DRU desvincula receitas, mas não despesas. Dessa forma, os 10% da receita bruta da União, obrigatórios para serem gastos em saúde pela Emenda 29, são atingidos de outra forma, mesmo com a desvinculação.

O deputado Paulo Rubem Santiago (PDT-PE) discordou dessa conta e propôs que os recursos da Seguridade Social sejam retirados da DRU. Isso já ocorre com os recursos destinados à educação.

A seguridade reúne recursos para custear saúde, assistência social e previdência. Pela Constituição, a seguridade deveria ter um orçamento próprio, separado das demais receitas. “Mas o Executivo não elabora um orçamento separado para a seguridade, e os recursos vão parar na conta única do Tesouro, para fazer superavit e pagar a dívida”, explicou Santiago.

O deputado estima que R$ 45,8 bilhões deixaram de ser gastos em 2010, número que subirá para R$ 110 bilhões em 2012. “Se esses recursos fossem utilizados, não haveria razão alguma para estarmos discutindo falta de recursos na saúde”, disse.

Santiago argumentou que é pelo uso da DRU que se efetiva esse desvio de recursos. Em 1994, quando foi criada com o nome de Fundo de Estabilização, a justificativa foi a estabilização da moeda e o Plano Real. Posteriormente, várias crises têm justificado sua prorrogação, mas o deputado disse que a medida hoje serve apenas para retirar recursos de áreas importantes e aplicá-los no pagamento da dívida, que não diminui. “Era excepcional e se tornou uma medida corriqueira”, concluiu.

Sugestões
O relator, deputado Odair Cunha, disse que está aberto a sugestões e que ainda vai ouvir os ministérios do Planejamento e da Fazenda sobre as operações realizadas com a DRU. Em princípio, todos os recursos acabam voltando para cobrir a Emenda 29 ou o deficit da previdência, mas os deputados querem poder traçar o caminho que esses recursos fazem dentro do orçamento.

O Conselho Nacional de Saúde já tem uma resolução sugerindo que os recursos da área saiam da DRU, e Santiago é autor de uma PEC (75/11) sugerindo que a desvinculação da seguridade deixe de ser feita em quatro anos. Essa PEC tramita em conjunto com a proposta que prorroga a DRU.

Na próxima reunião, terça-feira (11), a comissão vai ouvir a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. O ministério controla a liberação de recursos, e os deputados querem saber qual o impacto da DRU para o governo e para os orçamentos de áreas com receita vinculada.

 

Reportagem – Marcello Larcher
Edição – Pierre Triboli

Foto/Fonte: Agência Câmara de Notícias

 

Notícias

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária

Informativo de Jurisprudência do STJ destaca usucapião e alienação fiduciária Periódico divulga teses firmadas pela Corte selecionadas pela novidade no âmbito do Tribunal e pela repercussão no meio jurídico. O Informativo de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça n. 894 (STJ) divulgou os...

Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva

Vínculos afetivos Após DNA negativo, juíza homologa acordo de paternidade socioafetiva Magistrada destacou que a filiação não se limita ao vínculo biológico, ao homologar acordo que reconheceu relação construída por afeto e convivência ao longo de 24 anos. Da Redação quarta-feira, 1 de julho de...